Área de Pressão de Infestação de Cupins Subterrâneos

Os cupins subterrâneos com sua biologia social, atualmente são considerados pragas invisíveis do Ambiente Urbano com colônias enormes em franca expansão.


  

Suas infestações são inicialmente detectadas nos imóveis causando prejuízos de ordem econômica por atacarem armários embutidos, gabinetes, rodapés, pisos, batentes, guarnições em busca de celulose (madeira, papel, papelão) ou por causarem danos nas fiações elétricas quando transitam por conduítes.



Com o passar do tempo a presença destes cupins começa a ser percebida atacando a arborização urbana. Sendo cupins de cerne, fragilizam a estrutura da árvore na base causando sua queda com graves acidentes, tornando-se um problema de saúde pública.

3 espécies mais comuns de cupins subterrâneos

Como algumas espécies atacam o cerne da árvore (parte morta de sustentação) a árvore permanece com aparência normal embora fragilizada na base. Os sinais mais significativos que a árvore está doente serão percebidos quando os cupins atacarem as raízes e os galhos da copa começarem a secar. Outra formas biológicas como brocas, formigas, fungos e parasitas causarão um tipo de "infecção secundária" contribuindo para o colapso da espécie arbórea.

Dentro do contexto da ecologia urbana podemos entende melhor o conceito da Saúde Ambiental apontando os 5 principais fatores que interferem no bem estar humano.
  1. Fator biológico: Ex. Cupim subterrâneo de origem asiática, espécie Coptotermes gestrói, exótica, trazida por embarcações para os portos do Brasil por volta do ano 1.900, proveniente da Indonésia.
  2. Fator químico: Ex. Controle do perímetro do imóvel através de Barreira Química com produto domissanitário, embora seja uma técnica muito utilizada e eficiente, pode comprometer o lençol freático.
  3. Fator físico: Ex. A localização geográfica / geológica do imóvel em local com lençol freático alto. Deve-se considerar também a sazonalizade.
  4. Fator psicossocial: Ex. O cidadão atual se preocupa apenas com o seu imóvel, o conceito de cidadania ainda não está desenvolvido e o compartilhamento de ações conjuntas quando existem são voltadas apenas para segurança pública (projeto vizinhança solidária 190). De um modo geral as pessoas desconhecem este grave problema urbano.
  5. Fator antrópico: Ex. Em nossa cultura o ambiente construído pelo homem atual utiliza uma técnica construtiva baseada na alvenaria cobrindo grande áreas com concreto e asfalto.

A importância da Saúde Ambiental:
As casas de alvenaria normalmente são caixas de cimento e pedra dispostas diretamente na terra sem a preocupação do alicerce ter um sistema eficiente de vedação contra infiltrações. Em 100% de infestações de cupins subterrâneos em imóveis há o histórico de umidade presente.

O fato de todo solo urbano ser coberto por concreto e asfalto contribui pela extinção de sua biota (vida na terra) e em um ambiente estéril os cupins crescem protegidos e sem o perigo de predadores / contaminantes.
Nestas condições de cobertura do solo as temperaturas nas cidades alcançam médias mais altas e os cupins subterrâneos tem a opção climática de circularem mais próximos (Temperatura maior) ou distantes (Temperatura menor) da superfície.

Onde há arborização urbana com espécies nativas como Sibipirunas e Quaresmeiras ou exótica como o Jacarandá Mimoso estes cupins ganham força porque são espécies arbóreas prediletas para seu paladar. As árvores fazem parte como Reservatório Natural do ciclo biológico do cupim subterrâneo.
Os cupins transitam das árvores para os imóveis e vice versa

Uma vez alcançado o cerne da árvore (local isotérmico), estes cupins irão desenvolver um ninho ou colônia.
O ninho é onde se localiza a Rainha enclausurada que chega a viver 25 (vinte e cinco) anos e botar 2.000 (dois mil) ovos ao dia. 

Um ninho pode dar origem a várias colônias, onde cada uma forrageia uma área aproximada de 3.000 (três mil) m². Na prática, onde é detectado um sinal de infestação de cupim subterrâneo deve-se medir a partir deste ponto um raio de 30 (trinta) metros estabelecendo um círculo virtual. Sendo a área do círculo medida com a fórmula Pi X R² = 3,14 X 900 = 2.826 m², equivalendo aos 3.000 m².

Deste modo, pode-se ter uma real ideia do tamanho da infestação e assim iniciar uma prospecção de outros pontos de infestação dentro desta área (3.000 m²) demarcada pelos círculos.
Exemplo: Na foto acima foi detectado um ponto de infestação dentro da casa no centro do círculo branco (perímetro preto da edificação). Depois foi encontrado outro ponto de infestação nos fundos da casa vizinha e na sequência foi encontrada uma árvore infestada na via pública do entrono.
O que se iniciou com a observação pelo proprietário do imóvel de 01 ponto de infestação próximo ao batente da porta do banheiro da casa do círculo branco, logo se revelou, dentro de uma investigação inicial, como uma Área de Pressão de infestação que coloca na área de risco mais 20 (vinte) casas do entorno.
Estas casas já possuem infestação ou terão em breve.

Deste modo podemos encontrar outros pontos de infestação em imóveis e árvores do entorno, onde refazemos e atualizamos os círculos georreferenciados inicialmente.

Estes são os sinais mais comuns que indicam outros pontos de infestação dentro da área do círculo
Assim começamos a ter a visão espacial da Área de Pressão de Infestação do local examinado e conseguiremos classifica-la nos níveis +, ++, +++ (baixa, média ou alta pressão).

Segundo os pesquisadores da USP, Milano e Fontes (Livro Cupim e Cidades - Implicações Ecológicas e Controle, 2002), é relatado que em alguns de bairros de grandes centros urbanos da região sudeste do Brasil, a Pressão de Infestação de cupins subterrâneos já é tão alta que apenas o tratamento do imóvel pelo proprietário não será suficiente para se evitar uma nova reinfestação (temos observado, nestes últimos anos, que o problema retorna em menos de 18 meses). 

Os autores continuam explicando que este quadro poderá ser revertido a médio e longo prazo pela elaboração de um Programa de Controle que integre a comunidade local e o poder público.
É dentro deste contexto que estamos desenvolvendo através do georreferenciamento o Programa Dr. Cupim que adota medidas de controle de modo integrado.

Tratamentos:
Quando uma árvore é atacada por cupins subterrâneos no seu cerne, cria-se um espaço interno oco (vão) e em termo biológico / médico podemos dizer que o organismo está sendo parasitado.

O cupim subterrâneo como peste ou praga urbana vai lentamente depauperando a vítima atacando seus galhos e raízes enquanto utiliza este organismo vegetal como Reservatório Natural implantando internamente uma base de seu ninho ou colônia.
Enquanto existe disponibilidade de celulose a população de cupins aumenta e quando a disponibilidade diminui ocorre a dispersão para outras áreas externas do entorno, onde outras árvores e imóveis serão suas próximas vítimas.
Gráfico mostrando a relação: Consumo X População de cupins

Deste modo podem alcançar um imóvel (ambiente antrópico) e procurar um lugar semelhante ao oco (vão) do cerne de uma árvore como um armário embutido forrado em madeira nos fundos, nas laterais, embaixo e em cima. 
Chamamos estes pontos gerados artificialmente como "caixões perdidos". Neste caso  este caixão funciona como Reservatório Artificial
Um caixão perdido no ambiente construído tem como características ter um espaço vazio interno (vão), sem ventilação e sem entrada de luz. Para estes cupins o ideal é que tais caixões sejam úmidos internamente.

Mesmo sendo um caixão perdido de concreto, os cupins podem utiliza-lo como base e forragear a celulose (madeira ou papel) em locais próximos, fato mais comum encontrado em edifícios.

Assim como a árvore vamos imaginar a edificação também como um organismo parasitado.

Locais críticos para infestação de cupins subterrâneos em edificações.
É como se o prédio fosse um organismo atacado e os cupins um câncer em metástase.

Tratamento terapêutico:
É a modalidade mais procurada por proprietários de imóveis infestados. 
Normalmente acreditam que apenas a aplicação de um "Veneno Forte" (quimioterapia) resolve a situação indefinidamente. Agindo assim estes proprietários procuram empresas aplicadoras de inseticidas onde ambos os atores por total falta de informação e capacitação fazem o jogo. Os orçamentos geralmente possuem alto valor devido ao tipo trabalhoso de serviço e ao alto volume de calda aplicada. 
Mas quem realmente fatura são as industrias multinacionais do setor petroquímico, as mesmas que agem no agronegócio e não consideram a saúde do meio ambiente.

Continua...

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